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quinta-feira, 17 de março de 2011

HOMENS OU RATOS?

Cobaias humanas
Como funciona o uso de pessoas para entender doenças e testar medicamentos.


Eram 400 homens doentes, todos negros. Mas, para os cientistas que os observavam, eles valiam apenas como cobaias de laboratório. Os pesquisadores sabiam qual era a doença deles. Depois de algum tempo, sabiam como curá-la. Apesar disso, negavam-se a dar o tratamento. Apenas registravam metodicamente a piora nas condições de saúde dos doentes. Enquanto isso, os homens morriam, um a um.

Coisa de campo de concentração nazista? Não exatamente. A pesquisa com 400 portadores de sífilis foi feita em Tuskegee, Alabama, Estados Unidos. Terminou em 1972, com uma denúncia da própria comunidade científica, depois de se arrastar por quatro décadas. A penicilina era indicada como tratamento básico para a sífilis desde 1943. Em 1997, o então presidente Bill Clinton pediu desculpas àquela comunidade do Alabama. O Estudo de Sífilis de Tuskegee rendeu grande parte das informações que temos hoje sobre a doença, mas é consenso que foi um grande erro. Entrou para a história como exemplo de tudo que não se deve fazer em experiências médicas com seres humanos. Isso não quer dizer que as experiências com gente tenham sido abandonadas. Claro que não, nem se pensa nisso. Na verdade, elas são cada vez mais comuns, em um número crescente de países. Da próxima vez que for ao médico, você pode até ser convidado a participar de uma.

E o Brasil?
Atualmente, há pelo menos 27 empresas farmacêuticas multinacionais fazendo testes no Brasil. Essas companhias, junto com universidades, realizaram em 2003 mais ou menos 1 200 pesquisas clínicas no país. O número de pesquisas em território nacional não pára de aumentar desde que se aprovou a Lei de Patentes, em 1996, com a qual passou-se a respeitar a propriedade intelectual de medicamentos. Cerca de 600 mil brasileiros já participam, a cada ano, de testes de potenciais remédios. "O país tem grande população, pesquisadores de padrão internacional, centros de excelência e custo relativamente baixo", diz Flávio Vormittag, presidente da Interfarma, a associação das empresas - estrangeiras - que fazem pesquisa de novos medicamentos no Brasil.

Em princípio, receber pesquisas clínicas é bom negócio para o país. Os cientistas locais, chamados a colaborar, têm a chance de aprender. Além disso, cada povo tem características genéticas de maior ocorrência. Se os testes forem feitos apenas, digamos, na Alemanha, aumenta a chance de que efeitos colaterais só sejam detectado no Brasil com o remédio à venda.

Mas por que alguém aceitaria tomar um remédio que ninguém sabe exatamente como funciona? Na maior parte dos casos, o convite é feito pelo médico a pessoas que não obtiveram resultados com a terapia tradicional, ou cuja doença não tem tratamento eficaz. O convite não pode envolver dinheiro, porque o pagamento ao sujeito de pesquisa é proibido no Brasil (na Europa também. Já nos Estados Unidos e no Canadá é permitido e os testes são até anunciados no rádio). A idéia é que as pessoas decidam participar só pelos possíveis benefícios a sua saúde.

O médico é o responsável por mostrar o grau de segurança da pesquisa e esclarecer dúvidas do paciente. Ainda há muito o que melhorar nesse campo: os termos de consentimento redigidos no Brasil, que têm de ser assinados pelo voluntário, são bem complicados. Eles são escritos em um tecniquês difícil de entender para pessoas com menos de onze anos de escolaridade, caso da maioria da população brasileira.

Antes de decidir aceitar participar de uma experiência, o convidado tem de saber o seguinte: qualquer molécula recém-descoberta e que tenha chance de virar um novo medicamento passa por uma verdadeira odisséia antes de entrar no corpo de alguém (veja infográfico acima). Ela atravessou pelo menos três anos de testes em laboratório e em cobaias - e não apenas camundongos. Os testes pré-clínicos (ou seja, antes de chegar às pessoas) têm de envolver pelo menos três mamíferos. Essa é uma briga à parte com os defensores dos direitos dos animais, já que ninguém inventou ainda uma maneira de dispensar os bichos. Apenas parte da interação da substância com tecidos vivos pode ser simulada em computador. No final das contas, de cada 50 remédios promissores que iniciam os testes pré-clínicos, apenas um chegará ao ponto de ser testado em humanos.

As pesquisas que chegam ao Brasil já se encontram, provavelmente, na chamada Fase Três - a última antes de o remédio ir ao mercado. Mas o trabalho do cientista só acaba num momento seguinte, a Fase Quatro. É a hora de ficar atento ao que acontece no mundo real. "Há efeitos colaterais raros, que só se manifestam quando centenas de milhares de pessoas são expostas à droga", diz o médico André Feher, diretor do laboratório Eli Lilly. Ou seja: num certo sentido, todo mundo que toma remédio é um pouco cobaia.

Os direitos de uma cobaia
Todo sujeito de pesquisa, em qualquer lugar do mundo, tem uma série de direitos. Os principais deles são:



. Decidir se quer participar.

. Receber informações sobre os objetivos, métodos e riscos da pesquisa e dos tratamentos alternativos.

. Manter sua privacidade e anonimato.

. Abandonar a pesquisa quando quiser.

. Tratamento gratuito caso surjam complicações de saúde por causa da pesquisa.

! Receber o melhor tratamento já existente para sua doença ou o novo tratamento em teste, que deve ter potencial para se tornar o melhor existente.

. Comunicar-se facilmente com os pesquisadores.

. Receber informações que surgirem no estudo, como problemas ocorridos com outros voluntários.

. Indenização, caso a pesquisa cause alguma dano.

. Exclusividade nas informações que prestar e nas amostras retiradas de seu corpo - elas não poderão ser usadas em outras pesquisas.

! Depois de terminada a pesquisa, continuar recebendo o tratamento em pesquisa que tiver experimentado, se o considerar benéfico.

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2004/conteudo_124394.shtml

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

OBRAS LITERÁRIAS - VESTIBULAR UFSC 2012

Pessoal, a UFSC já divulgou a relação de obras literárias que serão cobradas no vestibular 2012.
Não se esqueçam de que, além de ler TODAS as obras, é importante estudar as características e o contexto de produção de cada uma delas!
Boa leitura!

1) Inocência, de Visconde de Taunay (disponível em: www.dominiopublico.gov.br)
2) Memórias de um sargento de milícias, de Manoel Antônio de Almeida (disponível em: www.bndigital.bn.br)
3) O pagador de promessas, de Dias Gomes
4) AMRIK, de Ana Miranda
5) Jorge, um brasileiro, de Oswaldo França Jr.
6) Viagem e vaga música, de Cecília Meireles
7) A cidade ilhada, de Milton Hatoun
8) Treze Cascaes, de Adolfo Boss e outros