- A obra constitui-se numa compilação de treze contos de autoria diversa e enquadra-se na literatura modernista, de estilo contemporâneo;
- Há um personagem comum em todos os contos: a figura de Franklin Joaquim Cascaes, nascido em Itaguaçu no dia 16 de Outubro de 1908 e falecido no dia 15 de Março de 1983. A importância desta obra reside no fato de seu foco incidir sobre um artista, folclorista e professor que dedicou parte de sua vida ao estudo e pesquisa das tradições da cultura popular dos habitantes da Ilha de Santa Catarina.
- Atualmente, o Museu de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina acolhe no seu acervo, manuscritos, documentos pessoais, esculturas, desenhos e centenas de acessórios artesanais que pertenceram a Franklin Cascaes.
Esboçamos abaixo as características mais importantes de alguns contos:
- Conto “O Presépio” (que trata do apagamento das tradições da ilha): falta de ponto no final dos parágrafos e falta de travessão para a fala dos personagens. Ex.: “Só sentiu-se mais calmo ao ver, cinquenta metros adiante, os dois seguranças deixarem um banco próximo ao monumento à Guerra do Paraguai, escondidos apenas para não participar da descarga e, sem o menor proveito, pensou, espertalhões, folgadinhos.” (p. 23).
- Narrador em terceira pessoa (no entanto, há uma voz em primeira pessoa que aparece uma única vez neste conto): “Ninguém arredou pé, isso eu posso jurar, prontos para auxiliar seus substitutos...” (p. 26).
- Conto “Uma noite de profunda insônia solitária”: narrativa em primeira pessoa (Franklin Cascaes aqui é o personagem Franque, de Franquelino);
- Conto “História praiana” (que trata da subserviência da mulher): “Tudo culpa das bruxas que vieram bagunçar a cabeça de nossas mulheres.” (p. 38). Neste conto, a bruxa assume a condição de mulher autônoma no patriarcado da família: quem se rebela é bruxa?
- Fagulhas biográficas de Franklin Cascaes no conto “Dois Bandolins”, cuja temática é a ausência da esposa Beth – Elizabeth Pavan Cascaes;
- Conto “O Abençoado”, escrito em terceira pessoa, põe em cena algumas bruxas que discutem o fim das tradições na sociedade moderna. “Ninguém quer saber de remédio de planta. Benzedura? Poucas velhas sabem alguma ainda. Nós vamos é desaparecer. E não é no ar, não. É deixar de existir mesmo.” (p. 60).
“A gente não queria ser lembrada? Pois aí está o menino [referência a Franklin Cascaes] que vai cuidar para que a gente não morra na memória das pessoas.” (p. 63).
- Conto “Ao entardecer” narra em primeira pessoa uma conversa de pescadores. Há um tom engajado do texto, com relação à preservação ambiental;
“Onofre não pode dizer que gosta das pequenas mudanças que o verão traz: turistas e alarido, corpos desnudos, costumes estranhos. Mas pressente que ainda vive um tempo bom. Seu amigo de nome estranho avisara sobre o que está por vir. Culpa do próprio homem, que derruba a mata, avança pelo mar com ganância, em seus braços potentes. ‘Veja os manguezais, verdadeiros criadores de peixes, onde eles desovam e se alimentam.’ Os manguezais estão sendo aterrados. Cada dia mais.” (p. 66).
- Conto “Talvez a primeira e última carta” retoma a lenda que diz que a sétima filha (de um total de sete mulheres) torna-se bruxa e o sétimo filho (de um total de sete homens) torna-se lobisomem. No caso de Santa e Benta (irmãs gêmeas), Benta pede para Cascaes mudar sua narrativa, já que ela era a oitava filha e não a sétima (logo, não era bruxa). O conto tem como interlocutor a pessoa de Franklin Cascaes e a estrutura é a de carta. Veja um trecho:
“Também não desconhece o senhor e tantos outros que, para a sétima filha mulher fugir do destino de bruxa, ou, como dizem, do fado bruxólico, a irmã mais velha tem que batizar a mais nova logo ao nascer. E isso não é o bastante: tem que ser batizada com o nome de Benta.” (p. 80).
- Conto “O folheto”, escrito em primeira pessoa, traz um curioso relato do narrador: “Quanto ao episódio das bruxas na baleeira, não falei nada até hoje com ninguém sobre isso, para evitar situações ridículas. Relato-o agora, pela primeira vez, a pedido dos amigos Flávio, Salim e Tércio, que o souberam recentemente em segredo, mas faço isso rezando para que ninguém acredite nele.” (p. 105).
- É interessante notar acima de tudo que em quase todos os contos perpassam relatos biográficos sobre Franklin Cascaes, por isso o livro pode ser tido como um importante acervo memorialístico acerca de uma figura importante da história da Ilha de Santa Catarina, a atual Florianópolis.
- Simbologia do número 13. Por que justamente 13 Cascaes? São treze os escritores catarinenses transformados em “cascaes”, no possível plural poético do substantivo “cascal”, que significa o mesmo que amontoado de conchas, casqueiro. Da mesma forma que há uma conotação mística (geralmente negativa) envolvendo o número 13, o título 13 Cascaes demonstra também o tom místico dos contos acerca da cultura popular da ilha e dos litorais de ascendência açoriana.
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