Como tornar-se cidadão numa sociedade corrupta? Eis uma pergunta difícil de se responder. Muitos fazem essa pergunta para si próprios e nunca acham a resposta. Hoje, muito dizem que é necessário ser cidadão e ter cidadania, mas muitos não sabem o verdadeiro significado dessa palavra. A palavra cidadania, segundo o dicionário Aurélio, significa “a qualidade ou estado do cidadão”.
A corrupção é vista como uma praga, uma doença altamente transmissível e inerente ao campo político, mas passível de combate. Cabe aos “conformados” inconformarem-se e punir, quando não possível de forma jurídica, de forma social, com o exílio da representatividade política.
A corrupção moderna é outra. É verdade que, quando a França instituiu sua Primeira República, durante a Revolução, muitos sonham com Roma, talvez mais que com Atenas. Mas isso não dura. E já os EUA, ou antes dele a Inglaterra monárquica, mas constitucional, haviam-se aberto para uma república de exigências aliviadas. A corrupção continua, porém, como um tema republicano, passa a ter outro sentido, outro conteúdo. Ela ainda é o grande perigo para a República. Como esta valoriza o bem comum, todo desvio dele para o particular a ameaça. Mas essa ideia de corrupção é mais fraca que a antiga, pois é tida como o furto do patrimônio público.
Ora, isso faz esquecer que o bem público tem natureza distinta do bem particular ou da propriedade privada. Muitos se referem ao Estado como se fosse equivalente a um indivíduo ou empresa. Como isso, ficam na perspectiva patrimonialista. A democracia é amiga do combate à corrupção. Ainda que esta seja um tema controverso pela existência de uma diversidade muito grande de práticas de governo, em linhas gerais é bastante razoável que se pense que a longo prazo a democracia favorece a queda dos níveis de práticas corruptas.
Para um governo ser eficiente, para a democracia ser eficiente, as pessoas têm que confiar nos governantes e em sua legitimidade. Há, hoje, um sentimento generalizado de que todo mundo na política é corrupto. Isto é muito corrosivo, devastador para a construção de uma democracia, além de semear o campo para o autoritarismo, para golpes militares, para que os ditadores assumam sob o argumento de que vão acabar com a corrupção. Por isso, é importante que os governantes assumam determinadas posturas para que sejam dadas demonstrações de que o problema está sendo encarado.
Autora: Thaynara Laureci Sagás, estudante do 2º Ano do Ensino Médio
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