Vote em um tema!

Vote em um tema!

Quais temas você considera mais interessantes para nossas discussões? Escolha um de cada bloco.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Estudo da obra: Macunaíma (1928), de Mário de Andrade

O BRASIL NA DÉCADA DE 20 – CONTEXTO HISTÓRICO

- República Velha e lutas contrárias ao governo da época (Tenentismo e Coluna Prestes);
- Crise da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e abalo da economia brasileira, que estava calcada na produção de café;
- Grandes aglomerados urbanos (SP e RJ) e prosperação da indústria e do comércio;
- Criação do Partido Comunista Brasileiro (como reflexo dos acontecimentos da 1ª Guerra Mundial).

A SEMANA DE ARTE MODERNA (1922) E A PUBLICAÇÃO DE MACUNAÍMA

- A obra enquadra-se na 1ª fase do Modernismo Brasileiro;
- A Semana de Arte Moderna ocorrida em São Paulo utilizou, pela primeira vez, as ideias de Vanguarda da Europa (Cubismo, Surrealismo, Dadaísmo e Futurismo) e tinha como objetivo propor novos rumos para a arte;
- Estrutura da obra: foge ao modelo da narrativa tradicional (começo + meio + fim), já que o autor faz um recorte ao estilo cubista das lendas do Brasil. Há uma técnica de separação e costura (o autor retira uma lenda de um ambiente e a enquadra em outro);
- Além de apresentar traços cubistas, a obra baseia-se no processo onírico (próprio do Surrealismo), uma vez que as personagens aparecem imersas em lendas e realidades mágicas;
- O subtítulo da obra: “O herói sem nenhum caráter” define o caráter híbrido de Macunaíma (como fusão das etnias formadoras do povo brasileiro), bem como um anti-herói (diferente dos heróis das obras clássicas);
- No início da obra, já percebemos uma intertextualidade com a obra Iracema, de José de Alencar:
1. “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da juti não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.”
2. “No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.”

- Importância do Manifesto Antropófago (a obra Macunaíma concretiza todas as ideias lançadas no manifesto. A paradoxal mistura de individualismo e coletivismo encontra na personagem de Macunaíma a sua perfeita tradução);
- Macunaíma é chamado de rapsódia, por ser fruto de anos de pesquisa das lendas, mitos indígenas e folclóricos que o autor reúne, utilizando a linguagem popular e oral de várias regiões do Brasil;
- Sobre o caráter “erótico” da obra, afirmou Mário de Andrade: “Não podia tirar a documentação obscena das lendas. Uma coisa que não me surpreende porém ativa meus pensamentos é que em geral essas literaturas rapsódicas e religiosas são frequentemente pornográficas e em geral sensuais. Não careço de citar exemplos. Ora uma pornografia desorganizada é também da quotidianidade nacional. Paulo Prado, espírito sutil pra quem dedico este livro, vai salientar isso numa obra de que aproveito-me antecipadamente.”
- Ao mostrar uma “pornografia desorganizada”, Mário de Andrade desenha o mais verdadeiro retrato do Brasil e reinventa um outro herói nacional: o índio Peri, de José de Alencar;
- Carta pras Icamiabas: Macunaíma escreve uma carta destinada às suas súditas, descrevendo a cidade de São Paulo. Mário de Andrade inverte, aqui, o retrato dos cronistas, como Pero Vaz de Caminha. Agora é o índio quem descreve a terra desconhecida para seus pares distantes. Além disso, a carta, escrita em linguagem rebuscada, ironiza a linguagem beletrista dos parnasianos. (beletrismo = belas letras, escrever com erudição);


Oposição da obra em relação ao Romantismo:
- quanto à estrutura: Macunaíma apresenta uma estrutura liberta das normas tradicionais (como o romance);
- quanto ao patriotismo ornamental: Macunaíma não vangloria o sujeito brasileiro (veja-se que o personagem Macunaíma era uma criança feia);
- quanto ao uso da linguagem: em detrimento da linguagem rebuscada do Romantismo (e do Parnasianismo), Macunaíma apresenta uma linguagem coloquial.

FOCO NARRATIVO: Embora predomine o foco da terceira pessoa, Mário de Andrade inova utilizando a técnica cinematográfica de cortes bruscos no discurso do narrador, interrompendo-o para dar vez à fala das personagens, principalmente Macunaíma. Essa técnica imprime velocidade, simultaneidade e
continuidade à narrativa.

ESPAÇO: As estripulias sucessivas de Macunaíma são vividas num espaço mágico, próprio da atmosfera fantástica e maravilhosa em que se desenvolve a narrativa. Macunaíma

TEMPO: Macunaíma tem o caráter marginal, de um anti-herói, fora-da-lei, na medida em que se contrapõe a uma sociedade moderna, organizada em um sistema racional, frio e tecnológico. Assim, o tempo é totalmente subvertido na narrativa. O herói do presente entra em contato com figuras do passado, estabelecendo-se um curioso diálogo com os “mortos”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário